“Um álbum LIVE!”
O Autopsy faz parte de um seleto grupo de bandas, que na virada entre as décadas de 80 e 90, pavimentaram o caminho para que a música extrema se tornasse um dos estilos mais cultuados dentro do universo metálico. Essas bandas criaram as diretrizes do death metal que ainda orientam aos fãs e a todos que se dignarem a trilhar essa estrada.
O último full-length lançado em 2014 “Tourniquets, Hacksaws and Graves” deixou os fãs animados e a banda manteve-se na ativa lançando EP’s e compilações, mas faltava um registro ao vivo. Um que capturasse toda a fúria e poder que o Autopsy proporciona em suas apresentações e que faz valer cada centavo investido no ingresso. Quem esteve presente no festival Setembro Negro em 2012, no qual o Autopsy foi o headliner, sabe muito bem do que eu estou falando.
Gravado no mês de março desse ano na cidade de Chicago, um pouco antes do Covid-19 mudar nossas vidas em uma escala sem precedentes, o Autopsy apresenta nesse trabalho, lançado via selo Peaceville, dezoito faixas que vai deixar os fãs mais desavisados atordoados e sem sentidos. As músicas old school foram privilegiadas na montagem do setlist, tanto que nada menos que sete faixas pertencem ao clássico álbum “Severed Survival”, o disco de estreia do Autopsy de 1989. Obviamente as versões para “Charred Remains” e “Service For A Vacant Coffin”, que abrem o show são devastadoras, mostrando o quanto estão afiadas as guitarras de Eric Cutler e Danny Coralles, o baixo de Joe Allen e a mão e o gogó do grande Chris Reifert.
Os álbuns “Mental Funeral” e “Acts of the Unspeakable”, respectivamente lançados em 1991 e 1992, cederam três faixa cada, o que engloba a fase mais representativa do Autopsy no período dourado do death metal mundial. As demais, também importantes, concluem esse apanhado da carreira consistente da banda americana.
Em meio a tantas opções, escolher os destaques vira uma questão de (bom) gosto pessoal e no meu humilde ponto de vista devo citar a sinistra “Ridden With Disease” e seu andamento mórbido, a pancadaria insana de “Embalmed”, as distorções de “Burial” e a estupidamente veloz “Gasping For Air”.
Podemos dizer que as cerejas do bolo são “Maggots in the Mirror” e “Fuck You” por razões distintas. A primeira é uma nova música com pouco mais de um minuto e meio de duração, mas tão intensa e brutal que poderia facilmente derrubar o que estivesse a sua frente e a segunda, com sua mensagem de ‘paz e harmonia’ (haha), é a responsável por fechar esse animalesco álbum da forma mais apropriada possível. Muito legal também citar a interatividade de Reifert com o público entre algumas faixas.
“Live in Chicago” é um álbum obrigatório para todo fã de death metal, pois proporciona ao longo de sua execução um material de primeira qualidade e que ajudou a escrever a história do estilo, como já dissemos anteriormente. E acima de tudo como é bom saber que o Autopsy está em plena forma, devastador como sempre e pronto para destruir o que sobrar do mundo pós-pandemia em suas apresentações. Compre sem pensar duas vezes.
Nota: 4/5
Tracklist:
1.Severed Survival
2.Twisted Mass Of Burnt Decay
3.Disemboweled
4.Ridden With Disease
5.In The Grip Of Winter
6.Arch Cadaver
7.Fleshcrawl
8.Torn From The Womb
9.Embalmed
10.Gasping For Air
11.Voices
12.Maggots In The Mirror
13.Burial
14.Critical Madness
15.Service For A Vacant Coffin
16.Pagan Savior
17.Charred Remains
18.Fuck You
Autopsy:
Joe Allen – bass
Eric Cutler – guitar
Danny Coralles – guitar
Chris Reifert – vocais e bateria
Fique ligado: