O Beyond The Black já pode ser considerado um nome consolidado do rock e metal alemão. Com 12 anos de estrada, a banda liderada por Jennifer Haben chega ao seu sexto álbum de estúdio com “Break The Silence”, sucessor do disco autointitulado lançado em 2023. E desta vez, o grupo aposta em algo maior: um trabalho conceitual que une narrativa, emoção e evolução sonora.
Um breve contexto
Formada em 2014 na Alemanha, Beyond The Black rapidamente se destacou no cenário do symphonic metal graças à poderosa voz de Jennifer Haben e ao equilíbrio entre melodias épicas e riffs pesados. Desde o lançamento do seu álbum de estreia “Songs of Love and Death“ (2015), a banda conquistou fãs por toda a Europa, participando de grandes festivais e turnês internacionais. Com uma trajetória marcada por crescimento constante e mudanças na formação, Jennifer permanece como a alma do grupo, guiando a banda em direção a uma sonoridade cada vez mais madura e experimental, sem perder a essência que os tornou conhecidos.
A cozinha hoje é composta por: Jennifer Haben (vocal principal, piano e guitarra acústica), Chris Hermsdörfer (guitarra principal e backing vocals), Tobias “Tobi” Lodes (guitarra rítmica e backing vocals), Kai Tschierschky (bateria) e Linus Klausenitzer (baixo).
Conceito
“Break The Silence“ é um álbum que gira em torno do silêncio e, principalmente, da importância da comunicação. As letras abordam temas como isolamento, desconexão social e a busca por pertencimento em um mundo cada vez mais dividido. É um conceito pertinente, atual e bem amarrado ao longo do disco, criando uma jornada emocional do início ao fim.
Musicalmente, o Beyond The Black continua explorando seu conhecido pop metal sinfônico, com melodias grandiosas, refrões épicos e produção polida. Há momentos que flertam com o hard rock e outros que mergulham no pop rock emocional, sem perder a identidade metal.
No centro de tudo está, claro, a voz poderosa de Jennifer Haben, uma vocalista bastante expressiva, técnica e emocionalmente. Os hooks são certeiros, os arranjos orquestrais bem construídos e a produção soa moderna e cinematográfica. Ainda assim, “Break The Silence” vai além do que a banda já apresentou antes.
Aqui, o grupo soa mais maduro, ousado e aberto a experimentações. O álbum tem um caráter narrativo mais forte do que os trabalhos anteriores e ganha ainda mais atmosfera com a adição de influências étnicas.
Destaques
A abertura com “Rising High” traz tudo o que os fãs esperam do Beyond The Black: riffs pulsantes, bateria acelerada, refrão hino e elementos sinfônicos. É eficiente, bem executada, mas emocionalmente não é a faixa mais marcante do álbum.
Já a faixa-título, “Break The Silence”, mostra mais personalidade. Construída claramente para ser um hit, a música aposta em vocais expressivos, coros potentes e uma base orquestral grandiosa. A combinação de melodias calculadas com influências de world music e timbres exóticos cria uma atmosfera densa e envolvente — aqui a banda mostra sua faceta mais aberta e experimental.
Entre as baladas, “Ravens” segue a fórmula clássica do Beyond The Black: melodia fácil, clima hino e vocais carregados de emoção. Funciona bem, mas não surpreende. Já “Weltschmerz” encerra o álbum de forma impressionante. A faixa é épica, melancólica e sensível. Jennifer canta em alemão e inglês, criando uma despedida emocional e atmosférica.
Colaborações certeiras
Um dos grandes trunfos do álbum está nas participações especiais. Em “The Art Of Being Alone”, Chris Harms (do Lord of the Lost) divide os vocais com Jennifer. O contraste entre a voz grave dele e a potência dela funciona perfeitamente, criando uma faixa sombria, melancólica e intensa e, facilmente, um dos pontos altos do disco. É importante falar que essa é a segunda parceria da dupla. No recém-lançado “Opvs Noir“, do Lord of the Lost, BTB também contribuiu com uma parceria para “The art of being alone“.
Outro destaque é “Let There Be Rain”, em parceria com o coral búlgaro The Mystery of the Bulgarian Voices. A música traz uma atmosfera quase sacra, misturando elementos étnicos, arranjos orquestrais, coros hipnotizantes e guitarras pesadas. Um belo exemplo de como a banda consegue expandir seus limites sem perder a identidade.
A terceira colaboração acontece em “Can You Hear Me”, com Asami, da banda japonesa Lovebites. A faixa mistura riffs pesados com elementos pop e eletrônicos. É bastante válida, provando que o metal consegue se incluir em diversos outros contextos.
“Break The Silence“ é, sem dúvida, o trabalho mais maduro do Beyond The Black até agora. O álbum traz faixas emocionalmente profundas, colaborações bem escolhidas e uma narrativa forte. Em alguns momentos, a banda ainda joga no seguro, entregando músicas mais comerciais e previsíveis, mas sem comprometer o conjunto. O disco consolida o Beyond The Black como um dos grandes nomes do symphonic metal moderno e mostra uma banda em constante evolução.
Nota: 4 / 5















