A veterana banda gaúcha de Thrash Metal Distraught apresenta ao público um olhar aprofundado sobre os bastidores de seu mais recente trabalho, o EP InVolution. O baterista Thiago Caurio disponibilizou no YouTube um mini-documentário dividido em duas partes, revelando em detalhes todo o processo de gravação de bateria e percussões do lançamento.

Gravados no Black Stork Studio, em Porto Alegre, os vídeos mostram desde a captação das quatro faixas principais até a construção de camadas adicionais de percussão, além de momentos espontâneos que acabaram se transformando em elementos fundamentais do EP.

Parte 1:

Parte 2:

O EP InVolution abre com “Bloody Mines”, faixa que já entrega, de cara, uma identidade bem definida. A introdução remete às levadas que o Sepultura explorou em fases como Roots e Quadra, trazendo um thrash metal de abordagem moderna, carregado de groove e com presença marcante de breakdowns.

Na sequência, “Extermination of the Mother Nature” puxa mais para o thrash da velha escola em sua base rítmica, mas sem abrir mão de timbres contemporâneos nas guitarras e no baixo. Esse contraste entre estrutura clássica e sonoridade moderna ajuda a consolidar a proposta da banda. Um destaque interessante aqui é o uso de blast beats no refrão, adicionando intensidade e agressividade à faixa.

A terceira música, “Aether”, surge como um ponto de respiro e transição. Fortemente influenciada por ritmos afro-brasileiros, a faixa aposta em percussões marcantes e camadas harmônicas nas guitarras, funcionando como uma ponte atmosférica para o que vem a seguir.

“Truth Denied”, a quarta faixa, retoma o eixo central do EP com o thrash característico da banda, mas adiciona nuances interessantes. Em determinados momentos, as guitarras flertam rapidamente com elementos do black metal, criando uma variação dinâmica que enriquece a composição.

Encerrando o trabalho, “Setfire” mantém a coerência estética do EP. Não há grandes rupturas em relação às faixas anteriores, e isso não é um problema. Pelo contrário: inVolution se sustenta justamente pela consistência de sua proposta. Trata-se de um thrash metal moderno, com levadas atuais e uma identidade sonora bem amarrada do início ao fim.

Nos vocais, é impossível não notar a semelhança com Mille Petrozza, especialmente na fase mais recente do Kreator, a partir de Enemy of God. Evidentemente, não se trata de uma cópia, mas a influência é clara e contribui para situar o ouvinte dentro desse espectro mais contemporâneo do thrash.

No fim das contas, inVolution é um EP que aposta com firmeza no thrash metal moderno e acerta ao manter coesão, peso e identidade ao longo de todas as faixas.

Nota: 2,5/5

Texto por Hector Cruz