Show marcou o retorno da banda ao Brasil após oito anos, com casa lotada, calor extremo, discurso político e clássicos celebrados pelo público.

 

Fotos: Izabel Santa Fé

 

O Corrosion of Conformity passou por São Paulo no último sábado (17) para um show intenso na Burning House, encerrando a etapa brasileira de uma extensa turnê pela América Latina. A apresentação marcou o retorno da banda ao país após oito anos de ausência, desde a última passagem, em 2018, e confirmou a força de um grupo que segue extremamente querido pelo público.

A resposta dos fãs foi imediata: o anúncio do show gerou grande repercussão e resultou em ingressos esgotados. Falar que a casa estava lotada é pouco: a Burning House atingiu sua capacidade máxima, o que acabou expondo uma série de problemas estruturais que impactaram diretamente à experiência da noite.

Inicialmente, a turnê latino-americana do Corrosion of Conformity estava prevista para setembro, mas foi remarcada para janeiro de 2026. A mudança ocorreu após o grupo receber o convite para integrar a turnê norte-americana que reúne Judas Priest e Alice Cooper, programada para o segundo semestre do ano. A alteração de datas, anunciada pela produtora Dark Dimensions, acabou aumentando ainda mais a expectativa do público brasileiro, que aguardou meses pelo retorno da banda.

Fotos: Izabel Santa Fé

Com o ar-condicionado quebrado e a circulação de ar comprometida, o calor tornou-se um fator quase tão presente quanto o som no palco. A temperatura interna facilmente ultrapassou os 40 graus, e nem os ventiladores espalhados pelo espaço, nem o equipamento posicionado na parte traseira da casa, deram conta da situação. Muitas pessoas optaram por se refugiar no fumódromo, e até mesmo o camarote, normalmente mais confortável, se tornou um ambiente sufocante, com o público que reclamava e suava excessivamente.

Diante das críticas, a staff da casa se manifestou publicamente por meio de um vídeo publicado no Instagram, pedindo desculpas e explicando os problemas enfrentados naquela noite. O desconforto, no entanto, não se limitou à plateia: a própria banda demonstrou incômodo com o calor extremo durante a apresentação.

Apesar das condições adversas, o Corrosion of Conformity entregou uma performance sólida e potente. Pepper Keenan comandou o show com vocais firmes e presença, sempre muito simpático e interativo com a plateia, ele conseguiu fazer com que todos gritassem e o acompanhassem, enquanto a linha baixo de Bobby Landgraf soava dominante. Na bateria, Stanton Moore se manteve preciso sustentando o peso do repertório mesmo sob o calor extremo, ao lado das guitarras afiadas de Woody Weatherman, que ajudaram a construir a densidade característica da banda ao vivo. 

Entre uma música e outra, o grupo fez comentários sobre o atual momento político, como eles mesmos disseram que tocam “Vote With a Bullet” de quatro em quatro anos. O público apoiou a banda e comentaram muito sobre esse momento, enquanto os integrantes faziam uma pausa para descansar. A plateia reagia a cada música com gritos e reverência, prontamente correspondidos pela banda, em uma troca intensa e respeitosa, marcada pela memória afetiva e pela nostalgia. Certamente um show memorável e mágico para os fãs que esperaram por tanto tempo.

Fotos: Izabel Santa Fé

O setlist equilibrou diferentes fases da carreira, com espaço tanto para faixas menos óbvias quanto para momentos de catarse coletiva. Músicas como “Who’s Got the Fire” foram recebidas com entusiasmo imediato, com o público levantando isqueiros, cantando em uníssono. Clássicos incontornáveis como “Albatross” e “Clean My Wounds”, deixados para o final, selaram o show com um coro massivo e braços erguidos, esse repertório privilegiou faixas com andamento mais pesado, que combinou diretamente com o clima abafado da casa e com o momento social evocado pela banda. 

Lembrando que em entrevista concedida ao The Sonic Road Podcast, divulgada em dezembro do ano passado, o baixista Bobby Landgraf detalhou os planos do Corrosion of Conformity para 2026. Segundo o músico, a banda deve realizar uma turnê pelos Estados Unidos ao lado do Clutch, prevista para abril, seguida por uma série de datas europeias entre junho e julho. Landgraf também confirmou que o próximo trabalho de estúdio do grupo, sucessor de No Cross No Crown (2018), será um álbum duplo. Ao comentar o processo de gravação, o baixista destacou a experiência de trabalhar com o baterista Stanton Moore (Galactic), descrevendo um clima de energia renovada em estúdio e atribuindo a Moore a incorporação de uma abordagem mais funk e pesada ao som clássico do C.O.C., sem perder sua identidade claro.

Entre calor extremo e músicas inesquecíveis, o Corrosion of Conformity experimentou a sua relação com o Brasil novamente, seguindo viva e intensa. Foi um show desconfortável em muitos sentidos, mas também intenso, daqueles que ficam marcados não apenas pela música, mas pela experiência coletiva levada ao limite.

 

 

Setlist – Corrosion of Conformity (Latin America Tour 2026)

  1. Bottom Feeder
  2. King of the Rotten
  3. Seven Days
  4. Señor Limpio
  5. Wiseblood
  6. Who’s Got the Fire
  7. My Grain
  8. Shake Like You
  9. It Is That Way
  10. 13 Angels
  11. Vote With a Bullet
  12. Albatross
  13. Clean My Wounds

 

Texto e Fotos do Corpo da Resenha por: Izabel Santa Fé

Fotos da Galeria e da Capa: Daniel Agapito (@dhpito)