A Headbangers Brasil esteve presente no Coliseu dos Recreios em Lisboa ,Portugal e te conta como foi esse encontro.
Na noite de 29 de janeiro de 2026, o Coliseu dos Recreios em Lisboa, foi palco de um reencontro carregado de significado. A passagem da Living The Dream Together Tour por Lisboa marcou o retorno conjunto de Tarja Turunen e Marko Hietala ao mesmo palco, algo que durante anos pareceu improvável para os fãs que acompanharam a história dos dois no Nightwish.
Antes do espetáculo principal, Marko Hietala apresentou um set enxuto, mas emocionalmente denso. Seu retorno aos palcos depois de um período afastado por questões de saúde mental trouxe um peso simbólico evidente.
Houve espaço para o humor característico, como após Frankenstein’s Wife, quando brincou que talvez tivesse sido mais prudente casar com uma mulher rica do que apostar no rock, chegando a ironizar que tinha sorte por ser casado com uma mulher rica.
Mas também houve profundidade. Em Isäni ääni, música dedicada ao pai, Marko falou sobre as vozes que carregamos da infância e como certas memórias permanecem ecoando ao longo da vida. Já antes de Stones, refletiu sobre batalhas internas, sobre parar para sobreviver e sobre reconstrução pessoal. O público ouviu em silêncio atento, respeitoso.
Quando Tarja Turunen assumiu o palco, o clima ganhou outra dimensão.
Eye of the Storm abriu o repertório com segurança, seguida por In for a Kill e Undertaker, mostrando equilíbrio entre peso e teatralidade. O retorno de 500 Letters ao set e, principalmente, de Crimson Deep, ausente há mais de uma década, funcionaram como acenos diretos aos fãs mais antigos.
Victim of Ritual, com final estendido, preparou o terreno para o momento mais emblemático da noite, o medley acústico.
As cadeiras foram posicionadas, a iluminação suavizou e o palco ganhou atmosfera intimista. The Crying Moon, Feel For You, Eagle Eye e Higher Than Hope formaram um arco emocional que costurou passado e presente.
Marko cantou sem instrumento, deixando que a força da interpretação conduzisse o momento. O retorno ao refrão de Feel For You fechou o bloco como um elo simbólico entre eras distintas, mas complementares.
A reta final trouxe a catarse coletiva. Slaying the Dreamer, Wishmaster e Wish I Had an Angel foram cantadas em volume impressionante. O público lusitano esteve atento às duas apresentações durante toda a noite, mas nos duetos da era Nightwish a vibração foi ainda mais intensa, com coros que literalmente fizeram o Coliseu estremecer. I Walk Alone reafirmou a identidade solo de Tarja, enquanto o encerramento com Dead Promises e Until My Last Breath selou a noite em clima grandioso.
Ao final, ficou evidente que não era apenas o público que estava impactado. Tarja Turunen se emocionou visivelmente com a recepção calorosa, agradecendo repetidas vezes e demonstrando gratidão genuína pela resposta da plateia lisboeta.
Mais do que um show bem executado, Lisboa testemunhou a consolidação de uma parceria reativada com maturidade. O apoio de Tarja neste momento de renascimento artístico de Marko soa sincero e significativo.
O que se viu no Coliseu não foi apenas nostalgia. Foi a prova de que algumas conexões artísticas resistem ao tempo, às pausas e às rupturas e, quando reacendem, iluminam o palco com ainda mais significado.
Por Lukka Leite – Headbangers Brasil Team Europa
