O Black Metal dos finlandeses da banda Azaghal rasga o véu do tempo e volta ao Brasil em fevereiro. Em meio a três datas, 12/02 em Curitiba, 13/02 em São Paulo e 14/02 em Belo Horizonte. É na capital mineira que o ritual se fecha com peso simbólico: Caverna, 14 de fevereiro, sob a lâmina precisa da Caveira Velha Produções.

Falo como quem vive o subterrâneo, não como espectadora distante. O retorno do Azaghal não é simples nostalgia, mas a reafirmação de uma linguagem que se recusa a morrer, mesmo quando tentam domesticá-la. Há bandas que envelhecem. Outras apodrecem com dignidade e é desse húmus que o Black Metal verdadeiro brota. O Azaghal sempre pertenceu a essa segunda linhagem.

Belo Horizonte não é apenas mais uma parada. É território de escuta atenta e de público que reconhece o valor da aspereza, da crueza do estilo. O Caverna não comporta distrações: ali o som bate de frente, sem verniz, sem distância confortável entre palco e abismo. É o lugar ideal para um show que não promete catarse fácil.

Abrindo a noite em Belo Horizonte, Freezing e Defacer assumem o papel de preparar o terreno, baixar a temperatura e tensionar o ambiente antes da queda definitiva. Não se trata de uma abertura protocolar, mas de uma construção consciente de atmosfera com duas forças que dialogam diretamente com a estética sombria e a entrega crua que a noite exige.

A presença dessas bandas reforça o compromisso da produção com o underground real, aquele que não se curva à conveniência. E, em caráter profundamente pessoal, tenho a honra de anunciar que estarei acompanhando a Freezing nos teclados nesta data, rito este que, marcará a vida de forma definitiva.

A escolha da Caveira Velha Produções sela o pacto. Produções que entendem o underground não tratam o Black Metal como produto, porém, como manifesto vivo. O que se espera não é um espetáculo e sim um rito com direito a som alto e atmosfera densa. O Azaghal sabe operar nesse campo. Sempre soube.

Curitiba abre os trabalhos no dia 12/02, São Paulo mantém a chama acesa no 13/02, e BH encerra não como epílogo, mas como golpe final. Três cidades, três noites, um mesmo princípio: o Black Metal como força indomável, que atravessa décadas sem pedir permissão ao tempo.

No dia 14/02, enquanto o mundo celebra distrações, a Caverna receberá algo mais honesto: som, fúria e memória. Quem entende, estará lá. Quem vive isso, sabe: certos retornos não são comeback. São invocações.

TEXTO POR GERMANIA OPUS MORTIS