Mais progressivo, mais pesado, mais místico.”

Nota: 5/5.

MANCHESTER, ENGLAND – JUNE 06: ** EXCLUSIVE COVERAGE ** Brann Dailor, Brent Hinds, Bill Kelliher and Troy Sanders of Mastodon promote the release of their latest album Crack the Skye on June 6, 2009 at HMV in Manchester, England. (Photo by Shirlaine Forrest/WireImage)

Os primeiros álbuns do Mastodon sempre foram conhecidos por seu som agressivo, cada música continha uma entrega poderosa com uma ferocidade tão intensa que, embora, agressiva, havia sempre partes mais abstratas em sua música. Canções como “Elephant Man” do álbum Remission e “Hearts Alive” do Leviathan, mostram a crescente apreciação da banda pela dinâmica da música progressiva. Com uma tendência especial para as passagens instrumentais longas e imaginativas. Seu terceiro álbum, Blood Mountain, foi um grande período de transição musical para a banda. Foi nele que pudemos vê-los se afastando dos sons mais agressivos dos álbuns anteriores e assimilando uma forma mais experimental de compor pela incorporação eminente de elementos mais ambientais a sua música.

Crack The Skye, que representa o elemento “Éter”, é o álbum em que a banda parece mergulhar mais profundamente nas suas influências progressivas. Há uma sombra que aparece ao longo deste álbum, realçando os tons e dando contornos ao seu conteúdo denso e quebrado. Este álbum nos põe numa história nova, surpreendente e rica em misticismo. Trata-se de viagens insólitas por reinos espirituais estranhos e misteriosos. A letra de “Oblivion” funciona como epílogo para a história conceitual por trás do álbum. O narrador está descrevendo sua própria morte à medida que ele lentamente perde a consciência e desce para as dimensões desconhecidas da vida post mortem. Embora a história comece falando de morte, descobriremos que o assunto é sobre renascimento. Em “Divinations” e “Quintessence”, vemos que a música passa a ser mais agressiva, refletindo o tumulto em que o narrador se meteu. Descobrimos que o tal narrador torna-se um espírito flutuando nos reinos misteriosos do Limbo. De lá, ele pode ver de forma consciente como viveu cada época, e os erros por ele cometidos, que o levaram a própria morte.

E agora descemos para uma atmosfera mais assustadora, decorada com sons cósmicos. O Czar abre com um aviso sinistro. Através da transcendência mística, o protagonista se encontra no meio da revolução russa. Sua alma agora possuía o corpo físico do conselheiro espiritual da família real czarista, Grigori Rasputin. “O Czar” é o aviso de Rasputin para a família real dos horríveis acontecimentos que com ela se sucederá. Ghost Of Karelia e The Last Baron parecem servir de reflexos enigmáticos da guerra entre os partidários do Czar e o novo exército rebelde que levaria a Rússia a uma sociedade comunista. O “gran finale” parece ser narrado pelo Czar, que viu o seu exército falhar, e temendo a morte, tenta um acordo com vistas a salvar-se e a sua família. Não obstante, logo será conduzido para o abismo do esquecimento, a morte.

O álbum consegue surpreender quanto a riqueza de elementos. Todavia, quanto a parte instrumental, vemos uma banda mais contida. Daí, compreendemos que este álbum não é sobre agressividade. O conceito do álbum envolve um exercício de percepção no qual a música enfatiza os ambientes sombrios que refletem a melancolia que reveste toda a história. A “morte” parece está presente em todas as faixas, especialmente na faixa-título – música que consiste em uma homenagem à irmã do baterista, Brann Dailor, que tragicamente se suicidou. Esta música, não se encaixa totalmente no conceito “czarista-místico” que se faz presente no total das músicas, mas no geral reflete o tema central e a experiência do um estado consciente de morte.

> Texto publicado originalmente no blog Esteriltipo.