Nunca julgue um livro pela capa…”

Nota: 4/5.

O ano de 2004 foi rico em lançamentos. A exemplo de Behemoth (Demigod), Amon Amarth (Fate Of Norns), Motorhead (Inferno), grandes bandas lançaram grandes discos, então, não havia me preparado para algo como o Leviathan, e acabei ouvindo-o muito tardiamente. Quando finalmente o ouvi, vi que se trata de um grande disco. Longe de ser perfeito, a banda tinha muitas ideias incríveis, mas faltava mais articulação. Com isto quero dizer que a complexidade do álbum exigia uma grande capacidade de enxergar as coisas de fora e isso era trabalho para o produtor Matt Bayles. Uma tarefa difícil que deve ter gerado grande aprendizado para banda e produtor.

Nunca julgue um livro pela capa, é um ditado que NÃO se aplica à Leviathan. Isto, porque a belíssima ilustração da capa te seduz logo de cara e depois de ouvi-lo você só comprovará que seu conteúdo corresponde inteiramente à beleza da capa. E por falar em conteúdo, este é o primeiro álbum conceitual da banda que, conta uma história que gira em torno do romance Moby-Dick, de Herman Melville. Sendo, também, a primeira parte de uma série de quatro, que aborda a temática dos quatro elementos. Neste caso, Leviathan representa o elemento água.

Com canções mais curtas e intrincadas, composições complexas e lirismo apurado, a banda começa a se apropriar de um estilo que os identificará muito em breve. Leviathan é uma caixa de segredos que vão se revelando a cada audição. Dentro do tema central há espaço para questões como obsessão, insanidade e a sempre válida dicotomia de “bem e mal”. Para este que vos escreve, destacam-se as músicas Blood And Thunder, que conta com a participação especialíssima de Neil Fallon (Clutch); Iron Tusk, que enfatiza o abate de baleias; Aqua Dementia, que conta com a participação de Scott Kelly (Neurosis) e Hearts Alive que, com 13 minutos e pouco, remete ao épico à lá “To Tame a Land”, do Iron Maiden. Três revistas importantes o destacaram como álbum do Ano em 2004: Revolver, Kerrang! e Terrorizer. Em 2009 e 2015, a MetalSucks o nomeou como o melhor álbum de metal do século 21. Exageros à parte. Leviathan é, de fato, um grande álbum de metal progressivo.

> Texto publicado originalmente no blog Esteriltipo.