“UMA HISTÓRIA CONCEITUAL DIVIDIDA EM TRÊS PARTES”

Os três álbuns dos quais agora falaremos, dizem respeito à trilogia escrita por Carlos Lopes. O projeto era lançar um álbum triplo, que não aconteceu devido à realidade econômica do país e da banda. Porém, os três foram lançados separadamente, mantendo o conceito original. Toninho Hardcore (bateria) deixou a banda após Searching For The Light, sendo substituído por Guga. Assim, a formação final era composta por Carlos “Vândalo” Lopes (guitarra/vocal), Claudio “Cro-Magnon” Lopes  (baixo) e Guga (bateria).

O lirismo, já como uma marca da Dorsal, aparece com mais força na ópera Searching For The Light, de 1990. Versando principalmente sobre as injustiças sociais no âmbito nacional, a banda fala das “… consequências de tantos desmandos em um possível futuro dominado por bicheiros, traficantes e uma elite insensível.” Um disco, até certo ponto, difícil de entender. Pelo menos para a maioria, é o que parece ter ficado claro com o tempo. O segundo baterista, Hardcore, deixa a banda, para a entrada de Guga, que injetou ânimo e ajudou a banda a expandir sua música, como veremos nos álbuns seguintes.

Musical Guide From Stellium, de 1992, “foi gravado em Belo Horizonte e, pela primeira vez, a banda teve uma produção profissional.” Privilegiando temas místicos, compôs um dos discos mais originais e pesados de sua carreira – sendo este, o favorito deste que vos escreve. O álbum já apresenta uma evolução musical considerável e tem muitos destaques! Aliás, difícil é apontar momentos ruins, talvez haja partes menos e mais interessantes (de um ponto de vista pessoal) com em “Prision Cell Stage” e “Thy Will Be Done“, respectivamente. De um modo geral o que se houve é um thrash metal bem construído e cheio de nuances.

Em 1994 a banda lança o terceiro álbum da trilogia. Havendo atingido seu ponto alto em amadurecimento, a produção ficou digna das grandes bandas gringasAlea Jacta Est, é a cereja do bolo do metal feito no terceiro mundo e a Dorsal se mostra uma banda com alto poder de destruição. Nesta parte da história, a banda “conta a saga de um Cristo negro e favelado nascido no Rio de Janeiro” através de músicas brutais, pesadas e técnicas em que houve espaço até para encaixar cantos gregorianos. Um momento excelente para banda e público. Apesar de que, segundo o autor, o conceito do álbum não foi compreendido em sua extensão tanto pelos críticos quanto pelos fãs.

Se, conforme dito anteriormente, o Metallica, com seu Black Album me ajudou a ativar o super-poder da “auto-consciência”, a Dorsal Atlântica, com estes três álbuns (que eu gosto de chamar de Trilogia Do Caos) me ajudou a ativar o super-poder da “consciência social”.

> Texto originalmente publicado no blog Esterilripo. [Edição Revisada].

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