Entrevistamos a banda Malvada durante o show de abertura para Michael Schenker em Oberhausen – Alemanha, em 20 de fevereiro de 2026.
Diretamente nos bastidores da casa de shows Turbinenhalle,, em Oberhausen na Alemanha, nossa Team Leader na Europa Cintia Seidel foi recebida pela banda brasileira Malvada, formada por Indira Castillo (vocal), Bruna Tsuruda (guitarra), Rafaela Reoli (baixo) e Juliana Salgado (bateria), para uma entrevista muito animada e repleta de informações sobre a nova fase da banda, após a parceira firmada com a Frontiers Records.
A banda subiu ao palco para abrir o show de Michael Schenker. Durante a entrevista com Cintia Seidel, Juliana representou a banda no merchandising, enquanto as outras três integrantes conversaram com a Headbangers Brasil compartilhando suas experiências, risadas e reflexões sobre a carreira, o público e a vida de banda feminina no rock.

A primeira turnê internacional: aventura e aprendizado
Cintia: Então, meninas, essa é a primeira turnê europeia da Malvada. Como está sendo essa experiência para vocês?
Indira: Está sendo uma grande aventura. Não poderia ser melhor. É nossa primeira vez fora do país, tocando lugares incríveis, abrindo para alguém que ajudou a construir a história do rock, Michael Schenker. Estamos aprendendo coisas novas, muitas coisas novas de como funciona aqui fora.
Bruna: A organização é diferente do Brasil. Os horários são muito respeitados. Um show não atrasa nem cinco minutos! No Brasil, atrasos de 15 minutos são normais. Aqui, nem dois minutos podemos atrasar.
Rafaela: É bom, porque evita aquela espera chata antes de começar o show. E o público é diferente. Eles demonstram que gostaram, mesmo que de forma menos efusiva que os brasileiros.
Indira: No final das músicas, eles aplaudem e depois do show, vêm nos elogiar bastante. Estamos sendo muito bem tratadas por toda a equipe.
Público europeu: respeito e curiosidade
Cintia: Como tem sido a recepção do público com músicas em português e inglês?
Indira: Começamos em português, foi muito bom. Mas sempre tivemos a ideia de criar músicas em inglês. Quando a Frontiers Records entrou em contato, foi uma proposta deles. Queriam que a banda focasse no inglês para se comunicar melhor com o público internacional.
Bruna: Colocamos pelo menos uma música em português nos shows atuais. O público fica curioso, observa, e gosta de ver algo diferente. É legal mostrar nossa cultura, de onde viemos.
Rafaela: Muitos fãs apreciam músicas cantadas em idiomas nativos das bandas. Isso é inspirador e abre espaço para a nossa identidade musical.
Indira: Escrever nos dois idiomas é desafiador. Em português, a fonética é mais longa, então rimar e encaixar na melodia exige atenção. Em inglês, a cadência é mais direta. Algumas letras precisam de adaptação, mas sempre preservamos a essência.
Influências musicais: identidade de cada integrante
Cintia: Quais são as principais influências de cada uma de vocês?
Indira (vocal): No canto, me inspiro em Ronnie James Dio, Miles Kennedy e Rich Cotten. Também gosto muito de vozes femininas como Etta James e Tina Turner.
Bruna (guitarra): No meu caso, Michael Schenker, Iron Maiden, Ritchie Blackmore, Jimi Hendrix e Randy Rhoads são grandes influências para a guitarra.
Rafaela (baixo): No baixo, sigo Steve Harris, Cliff Burton, Metallica e Rush. Essas referências ajudam a criar linhas sólidas e consistentes.
Indira: Quanto mais você abre seus horizontes, maior fica o seu poder de criação musical.
Representatividade e inspiração feminina
Cintia: Como é ocupar um espaço predominantemente masculino no rock?
Indira: É desafiador, mas cada show é uma oportunidade de inspirar outras mulheres. A Malvada transmite força e perseverança, mostrando que é possível.
Bruna: Ontem, em Bremen, uma fã comprou uma camiseta e disse: “Agora sou fã de vocês.” É transformador ver que podemos influenciar outras mulheres.
Rafaela: Temos contato com várias bandas femininas brasileiras, como Demonic, Sinaia e The Other Voss. Cada mulher que veio antes abre caminho para nós. É uma escada que construímos juntas.
Histórias engraçadas e momentos de bastidores
Cintia: Teve alguma história engraçada que aconteceu com vocês?
Bruna: No SESC Paulista, jogaram uma cueca no palco. Foi inesperado!
Indira: Pelo menos estava limpa!
Rafaela: Essas situações mostram que o público pode ser espontâneo e divertido, e a gente aprende a lidar com tudo com bom humor.
Nervosismo e adaptação aos shows europeus
Cintia: Como foi o primeiro show aqui na Europa?
Indira: No primeiro, estávamos nervosas, pensando “como será?”. Mas no segundo show, conseguimos nos soltar e compreender melhor o público daqui.
Rafaela: O público europeu é diferente do brasileiro; eles prestam atenção real. É necessário presença de palco e entrega total.
Bruna: Eles chegam cedo, acompanham todas as bandas, pedem fotos e autógrafos. Isso mostra um respeito incrível pelo trabalho da banda.
Viver de música: dedicação, paixão e “o plano A é o único plano”.
Cintia: Dá para viver só de música?
Indira: Sim, é possível. Hoje ganho muito mais com a música do que com empregos CLT que tive no passado.
Bruna: Além da banda, damos aulas, participamos de outros gigs, cursos online e ações nas redes sociais. O segredo é diversificar as fontes de renda.
Rafaela: Dedicação, consistência e paixão pelo que se faz são essenciais.
Indira: Muito gratificante poder fazer o que amamos, viajar para a Europa e viver disso. Esse é o plano A. E o plano A é o único plano também. Não há outro caminho para a gente. Tudo compensa quando amamos o que fazemos.
Bruna: Hoje é preciso se desmembrar em vários lados para realmente sustentar a vida com música.
Indira: E isso conecta também com a mensagem que queremos passar para mulheres e meninas que estão começando: a persistência e a consistência são mais importantes que o talento. Pelo esforço a gente aprende, não desiste e consegue abrir caminho. É a própria resistência que nos impulsiona.
Rafaela: É isso mesmo: não desistir, ser consistente em cada passo e ter fé em si mesma.
Mensagem final para novas musicistas
Cintia: Qual recado vocês dariam para mulheres que estão começando agora na música?
Indira: Persistência e consistência valem mais do que talento.
Bruna: Se você gosta de tocar, se gosta de ouvir música, continue. Não desista.
Rafaela: Cada passo conta e abre caminho para outras mulheres também. O rock está crescendo, e precisamos continuar mostrando nossa força.
Cintia: E quanto à expectativa para os próximos shows, não só na Europa, mas no futuro da Malvada?
Indira: Estamos aproveitando cada oportunidade de mostrar nosso trabalho em outros países. As expectativas crescem a cada conquista, e os sonhos continuam surgindo.
Bruna: Nosso objetivo é continuar expandindo nossa música e nossa mensagem, atingindo cada vez mais pessoas.
Rafaela: Acreditamos que é possível viver de música, mas é preciso diversificar e se dedicar. Cada show é aprendizado e evolução.
Setlist do show em Oberhausen
Intro
Dead Like You
Yesterday
Veneno
After
Fear
Anymore
Rnr Girl
Down the Walls
Bullet Proof
O público na Turbinenhalle vibrou do início ao fim. A Malvada mostrou que, mesmo em território europeu, a força da música brasileira e a energia de uma banda feminina podem conquistar plateias, inspirar fãs e abrir portas para novas gerações.
Um agradecimento especial as integrantes da Malvada e ao produtor da banda Tiago Claro, da TC7 Produções por receberem a Headbangers Brasil.






















