O Matanza Ritual voltou a São Paulo nesta sexta-feira (21) com um show que reafirma a força da banda na cena da música pesada nacional. No palco do Carioca Club, a turnê A Vingança é Meu Motor ganhou nova vida diante de um público que lotou a casa e esgotou quase todos os ingressos nas horas que antecederam a apresentação.

A noite começou com a Throw Me to the Wolves, responsável por aquecer o público com um set enérgico que preparou o terreno para o caos organizado do quarteto liderado por Jimmy London. Quando as luzes se apagaram às 22h, a recepção mostrou que a relação da banda com São Paulo segue firme: gritos, rodas e um coro que acompanhou cada verso.

No repertório, o Matanza Ritual intercalou clássicos consagrados da antiga fase com as faixas do novo álbum, lançado em março pela Deck. A Vingança é Meu Motor, que dá nome à turnê, apareceu como fio condutor do show, pesado, sujo e com o sarcasmo típico que acompanha Jimmy London desde sempre. Músicas como “O Paciente Secreto”, “Nascido Num Dia de Azar” e “Assim Vamos Todos Morrer” funcionaram como hinos, mostrando que a nova formação encontrou seu próprio espaço sem abandonar a estética que o público conhece de cor. O público estava muito mais que animado e alinhado com os artistas no palco, os gritos e os pulos foram constantes.

Produzido por Rafael Ramos e construído por um time de peso, Amilcar Christófaro (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Antônio Araújo (guitarra), o repertório ao vivo evidenciou a mistura de thrash metal, hardcore e country que marca a banda, agora acrescida de nuances mais melancólicas presentes no novo álbum. Esse sentimento esteve presente na performance intensa, marcada por riffs afiados e uma entrega vocal que os fãs acompanham desde a era clássica.

Entre as novidades, o show destacou também a recepção calorosa às faixas com participações no disco, como “Lei do Mínimo Esforço”, com Chico Brown, e “A Noite Eterna”, que tem colaboração de Leminski, além da curiosidade sonora trazida por “Assim Vamos Todos Morrer”, faixa que inclui violino de Tamara Barquette no estúdio e que ao vivo mantém a mesma dramaticidade.

Com público fiel, clima de celebração e a mistura de fúria e humor ácido que sempre caracterizou o Matanza, a apresentação no Carioca Club consolidou A Vingança é Meu Motor como uma fase madura, agressiva e consciente da própria história. Para quem queria rever a banda no auge ou conhecer a força da formação atual, a sexta-feira em Pinheiros entregou exatamente o que prometia: suor, peso e uma catarse coletiva que só o Matanza Ritual consegue provocar.

TEXTO POR IZABEL SANTA FÉ