“Envelhecimento digno de quem conhece suas limitações, mas confia no seu potencial”

NOTA: 9/10

Compreender a trajetória de uma banda é muito importante para falar de um álbum isoladamente. Principalmente quando se trata do último álbum de qualquer banda. Seguindo esse raciocínio, depois de 15 discos e uma carreira altamente longeva, o Paradise Lost passou por todo tipo de teste, sofreu perdas e ganhos, mas hoje anda pelas avenidas do mundo de cabeça erguida. Fruto de uma vida bem vivida em todas as suas fases: infância, adolescência, juventude e vida adulta, onde agora se encontra. A banda lançou discos indispensáveis como ICON (1993) e, vexatórios como HOST (1999). Todavia, Independentemente da natureza dos momentos por que passou revisitar a discografia da banda com foco no novo disco me deu a sensação de que os caras tiraram o melhor dos erros e dos acertos.

Em Obsidian, me parece que a banda também olhou para trás, aceitou suas piores vergonhas e encontrou nos seus antepassados mais remotos, a inspiração de que precisava para compor mais uma vez, um novo grande álbum. Desde In Requiem (2007), quando fez as pazes com a dor, com o pessimismo e com a desgraça que a banda vem mantendo uma regularidade que enche de emoção o peito de todos os que vivem a margem de uma civilização em estado de depravação. PL voltou com um álbum que, em certa medida, é mais variado, menos denso, mas, tão perverso quantos os trabalhos mais recentes. De toda forma, é sempre bom ter em mente que manter-se relevante por 30 anos e dezesseis álbuns é coisa para poucos. E a banda continua impressionando pela capacidade de manter o peso e a teatralidade de suas composições. Obsidian não supera The Plague Within (2015) e Medusa (2017) – referências para este que vos escreve – mas se mantem no mesmo nível. E o que poderia significar demérito acaba valorizando um grupo com tanto tempo de vida, pois seu envelhecimento é digno de quem conhece suas limitações, mas confia no seu potencial. […] Como fuga do trivial, não citarei destaques. Ao invés disso, recomendo a audição aleatória de pelo menos 3 álbuns da banda. Não tenho dúvida de que vai tornar a experiência mais rica.

A formação que gravou o disco conta com Nick Holmes (vocals), Gregory Mackintosh (guitars), Aaron Aedy (guitars), Stephen Edmondson (baixo) e Waltteri Väyrynen (drums). A produção ficou a cargo de Jaime Gomez Arellano que já trabalhou com Myrkur (Juniper), Angel Witch (As Above, So Below) e Cathedral (The Last Spire), entre outros.

 

>> Texto publicado originalmente no blog Esteriltipo.