No sábado, 28 de fevereiro, o Válvera lançou, em grande estilo, seu último álbum Unleashed Fury, e mostrou ao seu público fiel, que estão mais que prontos para essa nova tour com o Drowning Pool.

Foi uma festa linda, na aconchegante Burning House, que contou com o suporte de 3 Pipe Problem, Debrix, The Heathen Scythe, Flagelador, Laboratori e o próprio Válvera fechando a noite, com participação da lenda nacional, Marcello Pompeu, vocalista do pilar, Korzus. A casa abriu seus portões pontualmente às 18h, como previsto. Antes das 19h, 3 Pipe já estava no palco aquecendo o público.
As bandas levaram um público considerável, naquela noite confusa – ora gelada, ora com uma brisa agradável – e pronta para algo além. O staff da casa estava afiado na troca dos palcos! Debrix ao vivo antes das 20h… E sabe o que me encantou muito? A quantidade de estilos diferentes dentro de uma mesma festa, e todo mundo aproveitando e respeitando como se não houvesse amanhã. A ventilação, praticamente, não dava conta da alegria do público – muitos moshpits abertos e aproveitados com sucesso! Outro intervalo, bandas se cumprimentam, platéia interessada no merchandising… Evento standard. De repente um clima sombrio e denso invade a Burning House (o que significa um uso exagerado de máquina de fumaça) The Heathen Scythe na área, tocando sucessos de sua, ainda curta, carreira. Agradou bastante, inclusive na hora em que as luzes da casa apagaram repentinamente, e o guitarrista Bruno Luiz continuou com o solo, sem enxergar um palmo à sua frente.

Nesse ínterim, Glauber Barreto, frontman do Válvera, e eu, trocamos poucas palavras. E, em meio ao falatório e músicas altas, ele se disse “muito feliz e ansioso pra tocar”. Quando se cria um evento desses, cada detalhe é cuidadosamente escolhido, e com as bandas não seria diferente. Laboratori subiu ao palco e o transformou numa área de muito protesto com suas letras que fazem pensar muito. Um hardcore muito próximo e muito bom de curtir. O público aproveitou: rodas abertas, mulheres, crianças, homens… todos em perfeito equilíbrio e união, como é o certo!

Agora uma mudança: sem aviso prévio, a banda Flagelador foi colocada para fechar o festival.
A casa enche ainda mais (não sei como foi possível, pois já estava cheia), uma pequena introdução de “Necropolis” e o Válvera aparece no palco como mágica, mandando a inédita “Unleashed Fury”; aceitação incrível! Boa parte do público cantava o novo hino da banda, que lançou o disco nas plataformas de streaming em 30 de janeiro deste ano. Intro de “Crashing Down” começa e já emenda com “What I Left Behind”, ambas do novo álbum. E aqui algo de outro mundo aconteceu: et’s apareceram para curtir a festa! Algumas pessoas vestidas de extraterrestres apareceram não se sabe de onde, e abriram uma roda do tamanho da casa. Foi memorável.

Mas as presenças incríveis não pararam por aí. Glauber fala de quanto algumas pessoas foram importantes na trajetória da banda, e com isso, anuncia Marcello Pompeu para a próxima música, que tem sua participação, “Reckoning Has Begun (Remix)”, emendando o clássico “Correria”, do Korzus, que botou a galera pra pular, inclusive o mezanino, e quase derrubar a casa.
Voltando à programação normal, “The Damn Colony”, a pedrada do disco “Cycle of Disaster”, de 2020, começa e, no meio do mosh pit, nasce um crowd surfing. Um garoto carregado e surfando na galera… Com certeza a cena está garantida por mais alguns anos!
A clássica “The Traveller”, do álbum “Back to Hell”, de 2017, também marcou presença, o que me deixou muito feliz, particularmente por ser a minha favorita, e responsável por me deixar tão curiosa em assisti-los ao vivo.
Mesmo o último álbum de inéditas do Válvera, antes do atual Unleashed Fury, ter sido em 2020, “Cycle of Disaster “, a banda não se deixou esquecer. Singles foram lançados, um deles em 2025, “Crawl to the Dawn”, apareceu no set. Ao lado de Ale Malerba, este hino ficou ainda maior! A banda agradece, todos falam um pouco, contam da estrada até ali, todos os desafios e apoios e, antes que a emoção tomasse conta de vez, “Demons of War”, também do álbum “Back to Hell”, encerrou uma apresentação que contou a história de uma banda que não desistiu mesmo quando a adversidade apareceu.
Com a casa um pouco mais vazia, Flagelador fez a vez do headliner e encerrou a noite com o sarrafo bem alto. E um sábado que tinha tudo para ser “apenas” uma festa, se transformou numa verdadeira homenagem aos heróis do underground brasileiro.
SETLIST VÁLVERA:
Intro – Necropolis
Unleashed Fury
Crashing Down
What I Left Behind
Reckoning Has Begun (Remix) – Marcello Pompeu
Correria (Korzus)
The Damn Colony
The Traveller
Crawl to the Dawn
Demons of War
Texto e fotos do show por: Amanda Basso
Fotos de capa: Leonardo Benaci














