“Esperei toda a minha vida para estar com você novamente”

NOTA: 3,5/5.

Havendo lançado seu primeiro registro oficial em 1992 (Jhva Elohim Meth … The Revival – EP), apenas quatro anos e três disco depois, o Katatonia já realizava uma grande reviravolta musical. A banda abriu mão de um Doom Metal “disgracento” para experimentar uma textura com a qual pudesse abraçar um novo público num mundo mais amplo. O resultado não é ruim, pelo contrário, a nova música da banda pode ser predicada como mais clara, mais atmosférica e mais transcendental. Essa mudança foi gradativa, mas culminou em uma espécie de pós-metal fortemente caracterizado por um tipo de melancolia que descamba facilmente para o luto. Depois da transformação a banda não mudou muito ao longo de vários discos, apenas aprimorou a fórmula que lhe garantiu estatus de banda cult. Felizmente, a fórmula continua servindo bem ao propósito musical do grupo, pois não há como negar que a banda se mantenha em alto nível de qualidade.

Katatonia hoje se encontra no topo da pirâmide (musical) de Maslow e, nesse sentido, suas preocupações se elevaram de uma forma que a maioria de nós, que ainda lutamos para suprir necessidades musicais básicas, talvez não consiga entender. Portanto, se você deseja compreender a música da banda, da mesma forma que deseja conhecer outras realidades, é hora de também se elevar. Nesse sentido, elevar-se significa está aberto para aceitar a poesia cinematográfica contida nas letras e nos arranjos de cada composição. Eu sei, nem todos estão! Mas sabendo que esta versão da banda tem agradado a tantos gente no mundo, só podemos concluir que estão fazendo algo de bom.

Mas o que esperar de um disco que atente pelo singelo nome de City Burials? Bom, além da boa e velha tristeza juvenil, o disco apresenta construções boas o bastante para vender. As canções têm uma dinâmica pensada para emocionar e isso pode funcionar, mas com a condição de que o ouvinte consiga se esvaziar dos seus preconceitos musicais mais elementares. Não por que a música aqui contida seja demasiada estranha, mas porque é basicamente mais do mesmo. E, nesse caso, “mais do mesmo” não está posto em função do seu sentido pejorativo, mas como indicativo de que o álbum se dirige para um público específico. Se você já é fã, certamente vai amá-lo. No geral, o disco fala basicamente de morte, mas não diretamente. Ou seja, há toda uma ideação para conduzir o ouvinte a perceber o sofrimento causado pela perda de alguém, principalmente se este alguém representa um grande amor.

Podemos concluir dizendo o óbvio, Katatonia não pode nem deve mais ser classificada como uma banda de metal. Certamente, os climas e o peso das composições se constituem do mesmo elemento químico que o metal mais denso, mas há muito, o grupo transcendeu à esta classificação. No entanto, para quem está acostumado com as simplificações inerentes aos processos da escrita, pode situá-los como uma banda de progressive rock ou, talvez, progressive metal. 

Atualmente a banda é formada por Jonas Renkse (vocals), Anders Nyström (guitars), Roger Öjersson (guitars), Niklas Sandin (bass) e Daniel Moilanen (drums).

>> Texto originalmente publicado no blog Esteriltipo.